Nos últimos tempos a mudança no papel social da mulher representa um dos importantes fatores culturais que mais contribuíram para o aumento da consciência feminina sobre seu corpo e sua sexualidade.

Esse movimento facilitou sua redescoberta como mulher em busca do que é seu. Despertou o prazer e o respeito com seu corpo. Gerou uma saudável curiosidade em relação ao conhe-cimento de seu aparelho reprodutor, além de uma maior preo-cupação na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Esta nova mulher prepara-se para assumir e desfrutar sua sexualidade, tocando seu corpo sem constrangimento , re-conhecendo que tem o direito de exigir que seu médico decodifique a linguagem técnica para que possa compreender melhor o que acontece com em seu organismo. Ela deve ser informada sobre os diversos métodos anticoncepcionais, sobre sua eficiência e segurança que esses métodos proporcionam.

Quando refletimos sobre estes assuntos, sabemos que grande parte das mulheres não foi educada e muito menos acostumada a cuidar de seu próprio corpo, tocar-se, conhecer o seu aparelho reprodutor e seu funcionamento.

Os relacionamentos sexuais acontecem com a atração físi-ca para satisfazer o desejo sexual sem a responsabilidade sobre a função reprodutiva.

Mesmo com a diversidade de informações presentes na vida das pessoas, percebe-se um crescimento nas taxas de nascimentos não planejados, principalmente entre adolescentes, especialmente, nos países em desenvolvimento. São crianças que vêm ao mundo sem o "desejo", o preparo e a responsabilidade de quem os gerou.

Mais importante do que a carência física, alimentação, vesturário, moradia, é a carência afetiva, o amor, a segurança, e estar neste mundo sentindo que foi e é desejado pelos pais, seja qual for a classe social.
Faz-se importante lembrar de que, enquanto a mulher gera um filho por vez, o homem poderá gerar inúmeros filhos com várias mulheres.

Daí a necessidade de, no planejamento familiar, envolver também, este homem como co-responsável nas decisões sobre o controle da sua fecundidade.

Estima-se que aproximadamente 10 milhões de mulheres estão expostas à gravidez não planejada por uso inadequado de métodos anticoncepcionais, falta de conhecimento ou acesso a eles (Programa Saúde da Mulher/Ministério da Saúde - 08/03/99).

Atualmente no Brasil, 76,7% das mulheres entre 15 e 49 anos, fazem uso de algum método contraceptivo (Kalkman, S). Apesar disto, dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, indicam que em 1997 ocorreram 2.718.265 partos (de todos os tipos), sendo que destes, 33.534 ocorreram entre meninas de 10 a 14 anos e 686.804 entre 15 a19 anos.

Pesquisas mais recentes mostram que 26,31% das jovens entre 10 a 19 anos já engravidaram, fizeram curetagem ou tiveram filhos. (SUS/MS,1998 - FNUAP - Brasil).

Cada mulher tem conhecimento ( em média) de 07 métodos de anticoncepção de acordo com o PNDS - Programa Nacional de Demografia e Saúde . Este número indica um leque relativamente amplo de alternativas para as mulheres.

Ensinar e divulgar o planejamento familiar consiste na possibilidade de decisão da jovem mulher ou do casal de ter ou não filhos.

A paternidade e a maternidade responsável está ligada à gravidez programada que deve se iniciar com prazer e terminar com responsabilidade.

Observa-se também a existência do crescente número de mulheres insatisfeitas com o uso de diversos contraceptivos (orais, DIU, injetáveis e outros) ou desejosas de reverter a esterilização. São métodos que alteram de alguma forma o bom funcionamento do organismo favorecendo, por exemplo, o prolongamento do período menstrual ou a suspenção das menstruação, o aparecimento de micro-varizes, nódulos nos seios, alterações emocionais, etc.

Neste sentido, o Diafragma representa uma opção com menor risco à saúde e maior autonomia da mulher-casal no controle da reprodução. A adoção do diafragma depende de profissionais capacitados para esclarecer e recomendar o seu uso a mulheres com disponibilidade para assumir sua sexualidade com um método reconhecidamente eficaz. A prática e a familiarização com o uso desenvolve a aderência pelo método.

Os profissionais de saúde, quanto mais pensarem nestas questões mais preparados estarão para colaborar na construção de uma sociedade, de comunidades e de famílias sadias, onde as crianças geradas serão mais seguras e capazes, com auto-estima fortalecida porque foram planejadas.

No caso de mulheres que apresentam traços repressores, frutos de sua formação cultural, no que se refere à moral sexual e religiosa, o profissional pode indicar o uso do diafragma como um instrumento que poderá ajudá-las a conhecer seu corpo e lidar com as dificudades relacionadas à sua sexualidade.

O papel do profissional de saúde é de extrema importância. O planejamento familiar, ou a orientação contraceptiva garante o direito à informação sobre os diversos métodos contraceptivos que existem e o acesso a eles, sejam preservativos masculinos e femininos, diafragma, pílula, DIU, e outros além de estar investindo para uma sociedade justa e sadia. Hoje no Brasil é questão de Saúde Publica , dado o elevado número de gestação em pré adolescentes e adolescentes.

A Constituição Federal, em seu artigo 226, dispõe que o Planejamento Familiar é de livre decisão do casal, competendo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício deste direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

Portanto, os profissionais que atuam em planejamento familiar ou na orientação contraceptiva, têm o dever de estarem sempre atualizados e dispostos a exercer uma prática educativa isenta clara e objetiva. O serviço público deve garantir a manutenção da oferta dos contraceptivos, da educação continuada aos profissionais de saúde, para o êxito de uma politica pública de saúde , contribuindo para a reflexão e o exercício da cidadania do ser humano.

Maria Luisa Eluf

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