O menor risco à saúde e a maior autonomia da mulher e do casal no controle da reprodução são motivos importantes para a aceitação deste método de barreira.

Um estudo da aceitabilidade do diafragma, realizado na região metropolitana de São Paulo, em Serviço Público com clientela de baixa renda, mostrou que este, sendo oferecido em igualdade com os outros métodos, foi aceito por 10% das usuárias (Kalckmann ec at., 1997).

A continuidade de uso do método é variável, segundo Kalckmann e al. (1997) as mulheres estudadas tiveram uma continuidade de uso de 25% após 12 meses.

Outros estudos realizados pelo Coletivo Feminista, resultaram em 69,4% de aceitação ao método. Na Unicamp, 63,5%; na Clínica de Belo Horizonte, 85,2%. Estes estudos podem sugerir diferenças metodológicas de análise ou mais precisamente diferenças na característica do atendimento, porém os resultados são semelhantes (Araújo et al., 1993).

Araújo e Diniz realizaram uma pesquisa em 1.994, em clinicas universitárias e privadas, localizadas em São Paulo, Campinas e Belo Horizonte com a finalidade de compor um perfil do uso do diafragma no Brasil. Concluíram após 12 meses de estudo que a baixa aceitação deste método é muito mais dos profissionais que atuam nos serviços de Planejamento Familiar do que das mulheres, influenciada por suas opiniões.
"Não é raro que os médicos se coloquem contra o diafragma, já que este é um método que praticamente não conhecem e não sabem como medir ou como ensinar a usar.

Além disso, estes procedimentos consomem tempo e sabe-se que os médicos não gostam de demorar em suas consultas(...) São poucos os ginecologistas que possuem em seu consultório os jogos de anéis para medir o diafragma".(op.cit)

Um outro fator avaliado foi de encontro ao pré-conceito de que o diafragma é um método indicado apenas para mulheres com alto nível de escolaridade, mostrando neste estudo que 17,3% das usuárias do diafragma na clínica de Campinas, tinham até 08 anos de escolaridade.

Assim, a taxa de escolaridade não afetou a taxa de efetividade do método mostrando ser este mais um preconceito contra o Diafragma.

Um dado freqüente que acontece no serviço público é a descontinuidade no treinamento a novos profissionais.
Portanto, a continuidade do uso do diafragma está diretamente relacionada à continuidade de treinamento e acompanhamento da usuária, por parte da equipe técnica, principalmente durante o primeiro ano de uso.

Cavalcanti & Bottona (1995) em uma experiência bem sucedida, citada anteriormente, recomendaam repensar e recuperar este método para desmistificá-lo e para que se torne uma opção a mais para as mulheres. Estas autoras, estudando aceitabilidade de 300 usuárias de diafragma em uma comunidade pesqueira do Ceará, apontaram que a continuidade do método não foi influenciada por desconforto ou causa médica.
Em estudo, de novembro de 1995 a maio de 1997, realizado pela equipe do Dr. Carlos Alberto Petta., do Centro de Pesquisas Materno-Infantís de Campinas (CEMICAMP), em 07 unidades participantes da pesquisa, teve como objetivo avaliar a possibilidade do uso contínuo do diafragma, sem espermaticida, entre usuárias que se referiam ao uso do espermicida como "meleca" e compará-lo ao uso tradicional em aceitabilidade, eficácia e fidelidade ao método.

Num total de 357 mulheres, 167 escolheram o uso tradicional (UT) e 190 o uso contínuo (UC). A avaliação dos resultados mostra que, "o uso contínuo do diafragma sem espermaticida é uma opção que pode ser ofereci-da para mulheres interessadas neste método de contracepção".

Concluindo:

  1. A maioria dos estudos mostra a importância no apoio e suporte às mulheres frente às dificuldades iniciais com o método.
  2. O acompanhamento períodico cria um vínculo com a usuaria, assegurando a continuidade de uso do diafragma.
  3. A necessidade da reciclagem contínua da equipe, aprimora as técnicas de medição e a familiaridade com o método
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